ESG: Teoria x Prática

ESG: Teoria x Prática

ESG é o tema deste ano. Todo mundo só fala disso. Todas as consultorias desenvolveram abordagens orientadas para ESG. Nos eventos, congressos, seminários, webinars, palestras e encontros, só se fala em ESG. Marqueteiros, publicitários, diretores de fábrica, investidores, gestores de RH, jornalistas, head hunters, formadores de opinião, youtubers …. ESG está em todo lugar. Quando não se fala de política, fala-se de ESG.

O discurso corporativo vai na mesma toada. Nenhuma empresa quer ficar para trás. Todas procuram ser responsáveis e responsivas às demandas da sociedade, bem como dos investidores e dos reguladores. E já há muitas leis e regulamentos sendo propostos, todos endereçando algum aspecto do ESG

Então, já que todos concordam que ESG é necessário e que traz muitos benefícios, implantar princípios ESG é um movimento fácil e indolor, certo?

Infelizmente, é só entrar no coração das empresas para se constatar que a história é bem outra. A quantidade de dificuldades associadas às mudanças que precisam ser superadas é tão grande que muitas empresas estão simplesmente perdidas

Vamos ver alguns das questões que estão tirando o sono dos CEO´s

Mudança Cultural

Meio ambiente é um problema da fábrica e do pessoal de pesquisa e desenvolvimento; governança é problema do conselho; social é problema do RH. É assim que esses temas vêm sendo tratados há anos. Ocorre que ESG não é só a aglutinação de iniciativas nas quais as empresas já estão engajadas há bastante tempo. ESG são princípios de boa gestão, embasados em uma profunda mudança cultural das pessoas, que conduz a uma profunda mudança na cultura corporativa. E mudança corporativa, como se sabe, é algo muito difícil de ser iniciado e gerenciado. Convencer a todos de que os princípios ESG não são um modismo qualquer e também não são uma mera satisfação da empresa ao mercado é essencial. Somente quando todo o corpo profissional tiver assimilado esses princípios e colocados em prática em sua própria vida é que poderemos dizer que a empresa efetivamente incorporou os princípios ESG em sua gestão

Multiplicidade de Vetores de Mudanças

Até recentemente, batia-se na tecla da empresa incutir o espírito empreendedor em seus funcionários. Depois evoluiu-se para incorporar cultura inovadora. É preciso também implantar uma cultura de aceitação da diversidade. Temos de lançar um novo olhar para o meio ambiente. E temos de ser mais transparentes, éticos e socialmente responsivos. Tudo isso sem esquecer que é fundamental preservar a orientação para o mercado, agora entendendo que o mercado é composto por centenas de sub-grupos de consumidores, muitos com interesses e visões de vida opostos entre si. Espera-se que tudo isso faça parte da nova cultura corporativa.

Abordagem bottom-up

Recentemente fomos chamados por uma grande corporação para ajuda-los a resolver um problema difícil: a empresa deflagrou diversos projetos para redução de emissão de gases estufa e para isso contratou uma consultoria especializada. Está também revisando todo o seu modelo de governança, utilizando os serviços de outra consultoria especializada. E, por fim, contratou uma consultoria de diversidade e inclusão para desenhar um programa dessa natureza. O problema é que os projetos estão sendo desenvolvidos com metodologias diferentes, propondo objetivos até mesmo conflitantes entre si, gerando mais uma enorme quantidade de KPIs a serem atendidos e, em sua maioria, KPIs não conectados a nenhuma estratégia e sem possibilidade de serem integrados no modelo de gestão. Os gestores estão investindo um tempo enorme no desenvolvimento desses projetos e a alta gestão agora se vê frente a um ambiente bastante caótico. Todos aprendemos que não se deve iniciar projetos operacionais sem estar atrelados a objetivos, estratégias e políticas claras. Mas é precisamente isso que a grande maioria das empresas tem feito no ESG, muito particularmente no social

ESG como ordem da matriz

Situação típica de multinacional. A matriz determina que todas as unidades do mundo devam ter um comitê para lidar com gordofobia, por exemplo. E todas as unidades criam o tal comitê, independentemente da sua real necessidade ou prioridade. Um nosso cliente tem mais de 10 comitês de diversidade implantados. Um dos comitês visa integrar asiáticos porque, no país de origem da empresa, asiáticos sofrem de grande preconceito. Não é a realidade brasileira, mas o comitê existe. Obviamente, os resultados são pobres e conflitantes. As corporações multinacionais devem compreender que processos de transformação cultural precisam respeitar a cultura e condições locais. Por mais que os modelos de gestão precisem ser padronizados, bem como regras de governança e estratégias globais, não dá para impor regras culturais uniformes a todas as operações no mundo. Isso vai contra o bom senso e também contra os próprios princípios ESG

Inclusão ou Assimilação?

A empresa decide diversificar seu quadro profissional e contrata uma série de pessoas que não fazem parte do perfil típico de colaboradores contratados até então. O que manda a técnica vigente de gestão de recursos humanos? Assimilar os novos contratados, educando-os na cultura corporativa e tornando-os similares aos funcionários atuais, facilitando a integração. O que diz o ESG? Queremos o pensamento e a visão diferentes que estas pessoas possuem. É preciso inclui-los mas não assimilá-los. As pessoas que chegam querem mudar a empresa. Mas a empresa, durante décadas, mudou as pessoas para vesti-las com a roupa da sua cultura corporativa. O choque é inevitável. Há relatos de empresas com turnover acima de 50% dos novos contratados “diversos” com apenas 3 meses de casa

Esses são alguns exemplos de dificuldades de implantação de princípios ESG. Ainda não há maneira melhor de se começar a mudar uma empresa do que definir uma abordagem top-down e começar por uma profunda mudança cultural dos lideres, e daí descendo para a base. Leva tempo, não é isento de conflitos, mas é a maneira pragmática e eficaz de se implantar ESG

Fabio Nogueira é economista pela FEA-USP, com MBA pela Hult Institute, Boston / EUA. É Vice-Presidente da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, fundador do Observatório da Longevidade, Sócio-Diretor da Prosperidade Consultoria e diretor do Instituto Brasileiro de Líderes

A Prosperidade Consultoria é uma empresa fundada em 1994. Com amplo histórico de projetos em estratégia corporativa, internacionalização de negócios, modernização gerencial e processos de transformação empresarial, a Prosperidade vem se consolidando como consultoria de excelência em temáticas emergentes, dentre as quais ESG e inovação

Quem cuida de quem cuidou?

Quem cuida de quem cuidou?

Por Isabela Nassif

Tenho observado um movimento importante de profissionais, grupos e empresas na busca por abrir a discussão sobre as oportunidades de trabalho para pessoas acima dos 50 anos e também sobre a flexibilização de modelos de trabalho para famílias com filhos pequenos, com ofertas das mais diversas, partindo de empresas que querem oferecer ambientes e pacotes de “facilidade e conforto” que proporcionem para mães, pais, enfim, os mais diversos estilos de família a possibilidade de trabalharem e também de viverem a educação e usufruírem da convivência com seus filhos.

Estamos, como sociedade, envelhecendo. Independente do nome que se dê para o amadurecimento, é fato que a sociedade tem o grande desafio de olhar de frente para esta realidade e tudo que ela traz à tona em termos de trabalho, educação e cuidados com a população idosa, que em nosso país será, segundo as projeções da USP, a quinta maior do mundo.

Dentro deste cenário o núcleo familiar se modificou – temos agora outro desafio – cuidar de quem um dia cuidou – uma legião de filhos maduros, em plena atividade profissional, com pais, tios e algumas vezes amigos e até avós que em sua longevidade agora precisam de nossos cuidados não somente em termos de saúde, alimentação, mas principalmente de carinho, atenção e tempo.

Normalmente não nos programamos para cuidar de quem um dia cuidou de nós. Esta realidade surge e na grande maioria das vezes não nos vemos preparados em nosso dia a dia para absorver mais esta “atividade”. Como inserir em nossa rotina, já tão preenchida e no tempo, já tão escasso, alguns minutos para ouvir histórias, dar carinho, atenção, ter paciência com o caminhar mais lento e com a memória que muitas vezes já falha? O tempo, grande aliado se torna um vilão implacável, pois os minutos preciosos para nós, que nos possibilitam cumprirmos nossa vida diária são ainda mais preciosos para aqueles cuja caminhada já é mais longa que a nossa…

Nesta relação não entramos apenas como “credores”. Somos os maiores beneficiados pela troca que acontece se estamos genuinamente abertos a crescer e aprender muito com esta transformadora experiência.

Falo de beber na fonte da experiência de pessoas que atravessaram muitas décadas, vivenciaram transformações muito rápidas no modo de vida, cenários tão diferentes do que conhecemos hoje e trajetórias com tanto suor de trabalho. Viveram em uma sociedade que funcionava de forma muitas vezes tão diferente da que experimentamos hoje, realidade econômica e financeira de um mundo ainda não globalizado, desafios ainda mais fortes em termos de escassez de recursos, que dão bagagem farta para uma troca riquíssima e muito temos a aprender sobre força, resiliência, capacidade de adaptação, reinvenção, criatividade e relações humanas.

Como inserir a realidade do profissional que cuida de quem um dia cuidou no cenário das empresas, dando espaço para que exista um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, também para que cuida não só dos seus descendentes, mas especialmente dos seus ascendentes?

É provável que exista espaço na sua empresa para participar da vida dos seus filhos, ir a reuniões escolares, levar ao pediatra, acompanhar no calendário de vacinas, parar um tempinho pra ver um desenho feito no papel ou no tablet, fazer uma reunião online de casa, tendo ao fundo o gargalhar de crianças ou chorinho de bebê. Já imaginou a realidade de quem precisa acompanhar o pai ou a mãe ao geriatra, de quem vive com um idoso em casa, acamado e precisa se ver envolto a rotina de um adulto que não possui mais toda a sua capacidade, autonomia e sua independência preservadas?

Já vi locais de trabalho com estrutura de creches, para que mães possam levar seus filhos para o mesmo local onde trabalham e ao final do dia retornarem juntos para a casa. E se fossem os pais?

Aqui você já deve estar refletindo, assim como fazíamos em um passado não tão distante, que este problema é familiar e não da empresa… Sim, de fato, não podemos trazer para responsabilidade da empresa o cuidado com os nossos ascendentes, nem com os descendentes, mas sim, precisamos, se queremos falar de pessoas, lançar um forte feixe de luz a realidade de profissionais que atuam no mercado e muitas vezes vivem esta realidade de cuidar de quem um dia cuidou.

E você, como enxerga este movimento? Faço meu convite para que venha trilhar comigo este caminho, que se inicia com o primeiro passo que é a contribuição de cada um de nós para esse diálogo tão importante para a sociedade.

Isabela Nassif é executiva, mentora e fundadora da Mentoria da Jornada de Vida MJV
https://www.mentoriamjv.com.br/
@mentoriamjv
(11) 99202-3135

A Prosperidade Consultoria é uma empresa fundada em 1994. Com amplo histórico de projetos em estratégia corporativa, internacionalização de negócios, modernização gerencial e processos de transformação empresarial, a Prosperidade vem se consolidando como consultoria de excelência em temáticas emergentes, dentre as quais inclusão, diversidade e mercados micro-segmentados

É possível começar a empreender depois dos 60?

É possível começar a empreender depois dos 60?

por Ricardo Mollo

A expectativa de vida da população tem aumentado nos últimos anos, o que é fantástico. Com os avanços da medicina, muitos conseguem passar dos 60 anos de idade com ótima saúde, com força e vontade de trabalhar.

Contudo, como hoje há maior oferta de trabalhadores, não há empregos de bom nível disponíveis, especialmente com a aceleração dos processos de digitalização, o que deve reduzir ainda mais os contingentes. Já que os empregos estão escassos, empreender é uma opção realista para muitos seniores. Mas como conseguir confiança para empreender aos 60?

Muitos seniores ainda não estão preparados para se aposentar porque têm demandas financeiras mensais altas ou mesmo porque não pouparam suficientemente para esta nova fase. Muitos tentam um reposicionamento de carreira para procurar um novo emprego. Mas com o passar dos anos, a dificuldade para manter sua renda aumenta.

Empreender depois dos 60 pode ser uma ótima opção para conseguir a manutenção da renda e apesar do esforço do início da empresa, a nova atividade pode trazer uma certa flexibilidade de horário. Porém, e acima de tudo, empreender traz uma oportunidade para as pessoas se manterem ativas, o que obviamente gera impactos na renda mas também na saúde, uma vez que os desafios empresariais estimulam fortemente as atividades cerebrais.

Teoricamente não há idade para empreender, mas empreender depois dos 60 traz diversos desafios. Os seniores têm experiência, conhecimento, paciência e sabedoria mas estão com a velocidade mais baixa. Têm mais conexões mas usam muito pouco a sua rede de contatos.

Geralmente correm menos riscos e têm maior resistência a mudanças. Os jovens estão mais conectados e associados a inovação, mas os mais experientes tendem a criar negócios mais sólidos e sustentáveis, apesar de menos inovadores.

Os mais experientes são menos energéticos e intuitivos, têm mais demandas pessoais e familiares, são mais conservadores e menos abertos a coisas novas e tecnológicas. Tendem a ser menos dinâmicos, mais reativos e têm mais vícios.

Às vezes têm restrições de saúde, financeiras e de locomoção. Porém, costumam ter mais credibilidade, acesso a crédito e mais bens para dar em garantia. Geralmente são mais treinados, racionais e buscam realização profissional e não somente rentabilidade e acumulação de bens.

Empreender nesta fase de vida é desafiador. A energia está menor, mas a bagagem dos anos pode ajudar muito. Muitos se desencorajam por ter mais idade.

O medo é natural para qualquer empreendedor, mas vale buscar coragem. Certamente haverá rejeição, dificuldades, falta de recursos, excesso de atividades, o que é muito comuns nas startups, mas a boa notícia é que os mais experientes tendem a aguentar estas pressões com mais resiliência.

A decisão de empreender tem que ser bem pensada. Questione se a aposentadoria vai lhe fazer feliz e se a renda que terá nesta fase lhe dará um padrão de vida satisfatório. Avalie se terá energia suficiente e se seu espírito está positivo para o desafio empresarial e para a tomada de riscos. Empreender traz riscos, mas também um potencial muito maior de retorno.

Mas como começar? Como se apaixonar por empreender e partir para montar o seu negócio?

Comece pela mudança na sua forma de pensar e se reinvente. Volte para a sala de aula, procure aconselhamento de mentores e acesse suas conexões. Busque informações e monte um plano de negócios. Teste idéias, crie um protótipo, pegue feedback e ajuda de consultores e de potenciais clientes. O Sebrae e o Sesc Idoso Empreendedor costumam dar apoio para seniores empreendedores.

Comece a desenvolver algo que você realmente goste de fazer. Mas é importante que o seu cliente potencial também goste de sua proposta de valor.

Não se empolgue com as modas de mercado. Imagine a empresa dos seus sonhos mas mantenha os pés no chão. Você não precisa fazer a empresa de tecnologia que está em moda, procure fazer algo pelo qual se apaixone e que vá conseguir desenvolver bem e gerir por muito tempo.

Algo que seja compatível com suas competências e sua forma de viver.

Busque apoio financeiro e ajuste suas finanças. Associe-se com os mais jovens, peça opiniões diversas e se abra para as inovações, especialmente as tecnológicas. Use mais os canais digitais e as mídias sociais. E acima de tudo: cuide bem da saúde e pense na sucessão do seu negócio.

Os principais erros que geralmente os seniores comentem quando decidem empreender são: investir todas as suas economias, não fazer estudo de mercado, achar que o que gosta é exatamente aquilo que o cliente precisa sem perguntar para ele; não buscar feedback, se endividar demais, não focar nas vendas e não separar as finanças pessoais das da companhia.

Cuidado. Empreender é algo muito promissor, pode transformar o seu futuro, mas conservadorismo depois dos 60 anos é algo positivo. Risco é algo inerente aos negócios, mas nesta fase de vida não podemos errar tanto, portanto prudência é algo importantíssimo.

De uma forma geral, precisamos parar de ser parciais em relação à idade. Jovens e seniores têm formas diferentes de empreender, mas há espaço para todos, aproveitando o que eles trazem para a empresa. O grande desafio é combinar seniores e jovens na mesma companhia e colher o que de melhor eles têm para contribuir.

Ricardo Mollo é empreendedor, CEO da Brain Business School, PhD abd pela University of London e ex-diretor da Insper. Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo e reproduzido com autorização do autor

A Prosperidade Consultoria é uma empresa fundada em 1994. Com amplo histórico de projetos em estratégia corporativa, internacionalização de negócios, modernização gerencial e processos de transformação empresarial, a Prosperidade vem se consolidando como consultoria de excelência em temáticas emergentes, dentre as quais inclusão, diversidade e mercados micro-segmentados

Internacionalizar para sobreviver

Internacionalizar para sobreviver

pela Prosperidade Consultoria

Há alguns anos a Natura adquiriu as operações da britânica The Body Shop. De acordo com a empresa, a compra da rede internacional de lojas permitiu à Natura atingir 3 objetivos simultaneamente: (1) internacionalizar sua própria marca; (2) diversificar portfolio de produtos e canais de venda; (3) construir um portfolio abrangente de marcas mundiais. O movimento da Natura vem, aos poucos, sendo seguido por muitas empresas brasileiras de médio e grande porte como parte de uma estratégia de garantia da própria sobrevivência e melhoria das perspectivas de crescimento saudável.

O Brasil viveu várias crises sérias no período republicano. Para mencionar as mais relevantes, a de 29, a crise de 62-64 que nos levou ao regime militar, a crise de dívida de 81-83 e a crise atual, que já se estende por 6 anos, agravada por pandemia e cenário internacional incerto. Mesmo que tudo milagrosamente passe a dar certo, levará de 10 a 15 anos para o país se recompor, da mesma forma como demoramos 10 anos para sair do poço profundo da crise dos anos 80.

Mas as empresas precisam viver. Empresas são organismos vivos e como todo ser vivo, se não prosperar, morre. Com a perspectiva de uma década medíocre pela frente, só resta uma única opção estratégica para as empresas brasileiras: se internacionalizar. As razões para expandir os horizontes da empresa para o mundo não se limitam à baixa dinâmica econômica. Há uma imensa variedade de razões que justificam esse esforço:

  • Instabilidade de regras. Além da fúria regulatória, o país altera as leis fiscais todo santo dia. Instabilidade e imprevisibilidade institucional não são parte do mundo corporativo no exterior
  • Corrupção. Em maior ou menor escala, todos estamos expostos a um determinado nível de corrupção, desde o auditor fiscal até o funcionário público que solicita um benefício pessoal para carimbar o papel. Isso não apenas tem custo como agora tem risco associado
  • Burocracia. É difícil imaginar o país sem burocracia porque ela está entranhada no inconsciente coletivo, é parte integrante da cultura cartorial brasileira. Todo mundo reclama da burocracia mas todo mundo também pede o tempo todo por novas leis e regulamentos estabelecendo normas sobre coisas mínimas. O custo dessa burocracia sobre as empresas e o país é imenso, não apenas em função da documentação que precisa ser produzida mensalmente mas principalmente pelos custos adicionais sobre qualquer novo serviço ou produto que se queira lançar. Isso não vai acabar
  • Mediocridade política: por razões que não cabe discutir neste texto, a classe política brasileira não pensa no país. A Lava-Jato impôs alguns limites à desfaçatez com que muitos gestores públicos desperdiçavam recursos da sociedade ou os usavam em benefício próprio. Ainda assim, até que uma geração de políticos éticos ocupe espaço significativo no cenário nacional se passarão 4 ou 5 legislaturas (20 anos)
  • Vilanização do empresariado. É saudável o atual comportamento crítico da sociedade brasileira. Estamos deixando de ser uma sociedade jovem e imatura e ingressando no mundo adulto. Não sem uma gigantesca dose de atritos, criticas exageradas, perdas de referência, desconstrutivismo inconsequente e, acima de tudo, uma forte tendência a associar ao empresariado tudo o que de ruim existe no Brasil, de pobreza a baixos salários, de corrupção a qualidade ruim de produto. O empresário é o segundo mais importante vilão nacional, apenas um degrau acima da classe política.
  • Imprevisilidade de mercado. Somando todos os pontos acima, e mais a oscilação econômica, o que se tem é uma gigantesca imprevisilidade em torno de qualquer aspecto do seu negócio. Sua empresa passa de modelo à execração pública em questão de dias, as vezes por uma simples campanha publicitária mal pensada

Há vários caminhos possíveis para se internacionalizar uma empresa:

  1. Exportar: mecanismo mais simples para se testar mercados, ajustar produtos, entender comportamento do consumidor, entender legislação, avaliar aceitabilidade do produto
  2. Parceria estratégica com canais de distribuição: uma vertente mais sofisticada da exportação, onde produtos e serviços são desenhados para canais de distribuição específicos, não raro em formato de exclusividade
  3. Joint-venture: casamentos embutem o risco do divórcio mas se associar com alguém traz o benefício óbvio de se obter conhecimento gerencial e acesso à mercado mais facilmente
  4. Aquisição de concorrente ou rede distributiva: é o que a Natura está fazendo. Comprar um negócio estabelecido é a maneira tradicional para empresas vindas de países desenvolvidos se estabelecerem no Brasil. Há décadas que nós vemos empresas brasileiras serem vendidas a investidores estratégicos estrangeiros. O caminho inverso também é viável, como a Gerdau e a Ambev nos provaram. Aquisições internacionais podem ser alavancadas com recursos de fundos de investimento

Com o Brasil se tornando um ambiente cada vez mais inóspito e refratário aos negócios, o resto do mundo se torna o ambiente natural para nossas empresas. A Ambrosetti tem experiência decenária em ajudar empresas europeias de médio e grande portes a se internacionalizar, bem como empresas asiáticas a penetrar no complicado mercado europeu e agora é o momento de ajudar as empresas brasileiras expandirem seus horizontes.

O Brasil é medíocre mas os empresários felizmente não são. É hora de conquistar o mundo.

A Prosperidade Consultoria é uma empresa com 28 anos de existência. Com amplo histórico de projetos em estratégia corporativa, internacionalização de negócios, modernização gerencial e processos de transformação empresarial, a Prosperidade vem se consolidando como consultoria de excelência em temáticas emergentes, dentre as quais inclusão, diversidade e mercados micro-segmentados

Uma única mudança determinará o futuro do Brasil

Uma única mudança determinará o futuro do Brasil

Por Fabio Nogueira

A grande maioria dos problemas brasileiros deriva de 3 males com raízes históricas que precisam ser urgentemente corrigidos. E a correção implica em uma mudança cultural profunda. Todos sabemos que mudanças culturais não ocorrem da noite para o dia, especialmente quando está-se referindo a uma sociedade inteira. Portanto, não há tempo a perder. Quando mais cedo nós nos conscientizarmos que estes três fatores culturais precisam ser profundamente discutidos e modificados, melhor para o futuro do país. Sem essa mudança, o Brasil continuará navegando em águas turvas:

Todos são desonestos

a gigantesca burocracia brasileira está diretamente relacionada às nossas origens. Durante séculos este país foi colonizado por indivíduos inescrupulosos, quando não degredados, cujo único propósito era explorar a terra e enriquecer. Ao rei só interessava os impostos. As únicas leis que existiam eram as que atendiam à conveniência dos colonizadores. Ao povo só restava desenvolver subterfúgios para defender o que era seu ou garantir o mínimo para si próprio. Valia a regra do cada um por si, Deus por todos. Resultou disso a cultura de que o governo impõe as leis que lhe interessam, tomando por norma que ninguém as irá cumprir. Então toca a exigir documentos, assinaturas, reconhecimentos de firma, registros de toda ordem, inscrições, comprovações, validações, revalidações, etc. O princípio de que todos são desonestos precisa ser eliminado e substituído pelo seu oposto: todos são honestos até prova em contrário. Vale a declaração e a boa-fé. Essa é a maior mudança cultural que este país precisará passar

Empresário enriquece roubando

mais um elemento cultural diretamente ligado às nossas origens. Os “empresários” originais eram os próprios colonizadores, que eram também os donos do poder, legisladores e juízes. Até hoje é parte do imaginário popular brasileiro que todo empresário é poderoso, amigo de político e acima da lei, enriquecendo às custas de falcatruas. É verdade que uma quantidade grande de políticos tem seus próprios negócios e que existem empresários que fazem negócios obscuros apoiados em relações privilegiadas. Entretanto, há cerca de 6 milhões de empresas abertas no país (sem contar os MEI – micro empreendedores individuais), dos quais uma quantidade mínima está associada a indivíduos detentores de funções públicas. A esmagadora maioria dos empresários, bem como a maior parte do recolhimento fiscal e da geração de empregos, vem de empresas que lutam para sobreviver em um ambiente altamente desfavorável à iniciativa privada.

O governo é responsável pela prosperidade das pessoas

novamente temos algo que nos remete ao passado. Para sobreviver e prosperar na colônia era fundamental ser amigo dos donos do poder, que legislavam em prol de si e dos protegidos. O que restou desse período no inconsciente coletivo é que o governo tem o poder de garantir a prosperidade de todos. Em pleno século 21, essa crença é infantil. Em qualquer país desenvolvido do mundo o governo é um provedor de serviços e garantidor da ordem econômica. Obviamente, a grande maioria dos países implanta uma rede de proteção e promoção do bem-estar social. Mesmo assim, continua sendo responsabilidade de cada pessoa se esforçar para prosperar na vida, seja como empresário, empregado, esportista, intelectual, artista ou qualquer outra atividade profissional que tenha escolhido. Quanto mais a sociedade pede que o governo garanta seu bem-estar via leis, regulamentos, cotas e benefícios, mais o governo interferirá nas decisões privadas do indivíduo, mais burocracia será gerada, mais impostos serão cobrados, mais poder será concedido ao governo e mais espaço será criado para corrupção.

Em suma, o governo precisa confiar em nós, os empresários precisam ser revalorizados e o esforço individual deve se tornar uma obsessão nacional. Se nós conseguirmos realizar essa mudança cultural, o Brasil automaticamente enveredará por uma rota virtuosa de prosperidade econômica e social.

Fabio Nogueira é economista pela FEA-USP, com MBA pela Hult Institute, Boston / EUA. É Vice-Presidente da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, fundador do Observatório da Longevidade e Sócio-Diretor da Prosperidade Consultoria

A Prosperidade Consultoria é uma empresa fundada em 1994. Com amplo histórico de projetos em estratégia corporativa, internacionalização de negócios, modernização gerencial e processos de transformação empresarial, a Prosperidade vem se consolidando como consultoria de excelência em temáticas emergentes, dentre as quais inclusão, diversidade e mercados micro-segmentados